Ciência exata ou subjetiva?
Sabe aquela máxima que você chega para um contador e pergunta qual é o resultado da conta 2 + 2 e ele te pergunta quanto você quer que dê, mas quando você vai ao advogado e faz a mesma pergunta e o mesmo fala que pode ser 4? Então, valuation tem muito disso e é algo que tem que ser analisado todo o contexto para entender qual o método a ser aplicado e quais as métricas e indicadores a serem considerados para o cálculo… Mas para que serve o valuation?
Basicamente é o valor de mercado de uma determinada empresa considerando todo o seu entorno e tempos (passado, presente e futuro). Um dos maiores especialistas do mercado clássico é o indiano Aswath Damodaran no seu livro Valuation. Falo mercado clássico quando falo de uma padaria, um posto de gasolina, enfim, negócios em que um DRE (Demonstrativo de Resultados do Exercício) tem uma fácil interpretação: receita – despesa (+custos) = resultado. Negócios de fácil interpretação, no entanto, há um outro tipo de negócio pertencendo ao que chamamos de Nova Economia em que esse cálculo não é tão intuitivo quanto parece que é o caso, por exemplo, das startups ou empresas de alto risco, de base tecnológica e de rápido crescimento. Para esses casos, eu gosto muito da lógica utilizada pelo João Kepler, fundador da Bossa Nova Investimentos, que sugeri no livro o Poder do Equity nas minhas sugestões nas redes sociais.
Método e diferença entre salário x lucro x equity
Dentre os métodos de cálculo existentes, o mais conhecido é o DFC (Fluxo de Caixa Descontado) que é a projeção futura da empresa trazida para o valor presente, ou como o Faria Limer Elevator diria: todos estamos mortos trazendo a valor presente. Essa é a forma mais fácil de entender esse cálculo. Brincadeiras à parte, gostaria de adentrar um pouco mais nesse cálculo mais incerto, mais duvidoso que é o das startups. No entanto, antes de entrar nos pormenores do cálculo, Kepler compara as 3 formas de fazer dinheiro no mundo: salário < lucro < equity. Por que a relação acontece desse jeito. Ora, ilustremos: numa ótica de salário, você vende as suas horas para alguém e é pago por isso, numa ótica de lucro, você é remunerado pelo sistema que construiu de acordo com a visão que tem. Já na ótica do equity é quando você vende a sua empresa para alguém ou um fundo e alguém compra o seu futuro e o seu lucro fica praticamente desprezível mediante o valor recebido. Numericamente, um engenheiro CLT ganha, em média, R$130k/ano bruto, um negócio mediano pode te gerar um lucro na casa de R$500k/ano líquido e um negócio pode ser vendido na case de múltiplos milhões e até bilhões. Para melhor visualização, imagine que você venda um negócio por R$10mi e aplique 50% na renda fixa, ou seja, considerando os juros hoje, você teria, aproximadamente, um valor de R$50k/mês sobre o capital aplicado. Bom, né?!
Nova Economia
Voltando ao cálculo do valuation, esse deveria ser o objetivo de todo empreendedor. Quem só olha lucro, tem uma visão míope do seu negócio uma vez que negócio ou quebra ou é herdado ou é vendido, eu prefiro a última a condicionar minha filha a ter um DNA empreendedor, muita maldade. Mas continuemos. Normalmente, todos os finances são considerados: receita bruta mensal, anual, EBTIDA, múltiplo de crescimento, entre outros. Depois tem o posicionamento do seu negócio mediante outros players que fazem a mesma coisa ou parecida com você no mercado e aí se pergunta como eles estavam no seu mesmo estágio de maturidade. Ao final, há a análise de risco junto (risco legal, político, concorrente, time…) ao scorecard (tamanho do mercado, possibilidades de exit por parte do investidor/fundo, LTV, CAC…). E… voilà! O tão sonhado valor de mercado da sua empresa pôde ser quantificado e agora você tem poder de barganha para vender ou buscar investimento, caso precise.
Seja numa economia tradicional ou na nova economia, o mindset do empreendedor tem que ser o mesmo, aumentar o valuation da empresa. Para isso, a lógica de aumentar o bolo para depois cortar, no futuro, uma fatia tão grande que seja bem maior que o bolo atual, deve ser perseguida, caso contrário você passa a matar a galinha dos ovos de ouro e, sem investimento, uma hora o lucro acaba ou abaixa, pois o investimento faz parte de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) para aumentar as possibilidades de ganho da empresa.
Não se você já pensou nessa questão de valuation alguma vez na sua vida, mas tenho certeza que dá tempo de parar e recalcular a rota para que você deixe de ser um empregado da sua própria empresa e passe a ser um investidor da sua própria empresa. Assim, seguindo o que Rober Kiyosaki fala no seu livro “Pai Rico, Pai Pobre” sobre os quadrantes primeiro e segundo que são do empregado e do autônomo e os quadrantes terceiro e quarto que são do empresário e do investidor onde o dinheiro deixar de te escravizar para trabalhar para você. Lembre-se: caso a operação te sufoque a tal ponto que você seja sine qua non para que ela exista, há algo muito errado sendo feito por você. Seja no estabelecimento da liderança ou na confecção de processos, mas há algo errado.
Me diga se você já parou para pensar no seu valuation, como o calculou ou se gostaria de ajuda para calculá-lo.
“O poder do equity está totalmente atrelado à “riqueza invisível” que existe nos negócios e na nova economia.” João Kepler